A construção de vida começa com uma decisão
Há momentos em que sentimos que determinamos a nossa vida. E há fases em que apenas reagimos: às exigências no trabalho, às expectativas de outras pessoas, às contas, aos compromissos e às obrigações.
O dia a dia funciona, sim, mas é fácil perder de vista a própria direção. Os desejos são adiados para mais tarde, as mudanças são justificadas com o momento errado e as decisões importantes são adiadas até que, aparentemente, se resolvam sozinhas.
Construir a tua vida de forma consciente não significa ter tudo sob controlo. Ninguém consegue prever ou controlar todos os acontecimentos. Significa, antes, perguntares a ti mesmo, uma e outra vez:
Quero continuar assim ou quero mudar alguma coisa?
Às vezes, a construção de vida não começa com um grande recomeço, mas com a decisão de não continuar à espera.
A vida não se pode planear por completo
O conceito de construção de vida pode dar a impressão de que deveríamos elaborar um plano perfeito para os próximos dez ou vinte anos. Mas a vida raramente se ajusta a esses planos.
As pessoas mudam. As relações começam ou terminam. Surgem oportunidades profissionais e outras desaparecem. Doenças, perdas ou encontros inesperados podem mudar as nossas prioridades em muito pouco tempo.
Por isso, construir a tua vida de forma consciente não significa fixar cada passo por antecipação. Trata-se de conhecer uma direção e tomar decisões que se encaixem o melhor possível com os teus valores e necessidades.
Uma bússola interior é mais útil do que um itinerário rígido.
Pode ser que ainda não saibas exatamente onde queres estar daqui a dez anos. Mas já hoje podes pensar no tipo de vida que queres levar, como queres que te tratem e o que deveria ter mais espaço no teu dia a dia.
Nem tudo está nas nossas mãos
Seria demasiado fácil afirmar que qualquer pessoa pode criar a vida que deseja apenas com a atitude adequada. As nossas possibilidades também estão condicionadas pela saúde, pelos recursos económicos, pelas obrigações familiares e pelas circunstâncias externas.
Não podemos controlar tudo. Mas podemos rever sobre o que temos influência.
Pode ser que não possas decidir como as outras pessoas se comportam. Mas podes decidir que limites impões. Nem sempre podes evitar uma mudança inesperada. Mas podes influenciar como a enfrentas e que passos dás depois.
É precisamente aqui que começa a responsabilidade pessoal. A responsabilidade pessoal não significa culpar-te por tudo o que acontece na vida. Significa não ceder por completo a tua capacidade de agir a outras pessoas ou às circunstâncias externas.
A diferença é importante: a culpa diminui-te. A responsabilidade abre possibilidades.
Onde estou a ceder a minha responsabilidade?
É humano procurar primeiro as razões fora de nós. O empregador não nos dá uma oportunidade. A família não nos apoia. A situação económica é desfavorável. Outras pessoas dificultam-nos a vida. Às vezes, tudo isso é verdade. Ainda assim, vale a pena fazer outra pergunta:
O que posso fazer eu mesmo nas circunstâncias atuais?
Pode ser que não possas mudar o teu empregador, mas podes formar-te ou procurar outro posto. Pode ser que não consigas que outra pessoa te respeite, mas podes expressar com mais clareza o que já não aceitas. Pode ser que neste momento não se possa alcançar um grande objetivo, mas ainda assim é possível dar um primeiro pequeno passo.
Esta atitude não resolve todos os problemas. Mas evita que passemos anos à espera de uma mudança que supostamente só deveria vir de fora.
Levar a sério os teus próprios desejos
Muitas pessoas sabem muito bem o que se espera delas. Sabem que tarefas devem ser feitas, que papel assumem na família e o que lhes é exigido no trabalho.
Mais difícil se torna com a pergunta:
O que quero eu?
Quem tentou durante muito tempo agradar a toda a gente, muitas vezes não consegue dar uma resposta espontânea. Os próprios desejos foram adiados tantas vezes que mal se percebem.
Isso não significa que só devemos pensar em nós e deixar de ter consideração. As relações, a família e a comunidade não funcionam sem compromissos. Mas um compromisso só é realmente equilibrado quando não é sempre a mesma pessoa que renuncia.
Levar a sério as tuas necessidades não é egoísmo. É um requisito para não viveres a tua vida apenas segundo as ideias dos outros.
Os valores ajudam em decisões difíceis
Em algumas decisões não há uma solução claramente correta. Deveria manter um posto seguro ou atrever-me a algo novo? Deveria ficar numa relação ou separar-me? Deveria ocupar-me mais dos outros ou cuidar mais dos meus próprios limites?
Nessas situações, os teus valores podem orientar-te.
Os valores não são palavras bonitas que simplesmente anotamos numa lista. Mostram-se sobretudo nas decisões que tomamos. Quem diz que a liberdade é um valor importante, mas evita qualquer decisão por medo da mudança, talvez não viva em coerência com esse valor. E quem valoriza a família pode perguntar-se o que significa concretamente a família para ele: só permanecer juntos ou também tratar-se com respeito e honestidade?
Entre os valores pessoais podem estar, por exemplo, a segurança, a honestidade, a saúde, a justiça, a proximidade, a autodeterminação ou a fiabilidade. O decisivo não é que valores soam melhor. O decisivo é quais deles têm realmente importância para a tua vida.
É útil a pergunta:
O meu estilo de vida atual encaixa com o que supostamente me importa?
A resposta pode ser incómoda. Mas também pode deixar claro onde é necessária uma mudança.
Os objetivos marcam uma direção
Um objetivo não garante automaticamente que tudo saia bem. Mas pode evitar que os desejos importantes fiquem indefinidamente no ar.
“Quero viver de forma mais saudável” é, de início, apenas uma intenção. Pode tornar-se um objetivo se definires o que queres mudar em concreto. Talvez planifiques três sessões de atividade física por semana, reduzas certos hábitos ou marques uma revisão médica que há muito tempo adias.
Também “Estou insatisfeito com o meu trabalho” ainda não é um objetivo. Um primeiro passo poderia ser anotar que tarefas te sobrecarregam, quais te dão alegria e que opções profissionais queres explorar nos próximos meses.
Os objetivos nem sempre têm de ser grandes. Sobretudo, têm de ter um significado para ti.
Às vezes, o objetivo mais importante não é um rendimento mais alto ou uma melhor posição, mas mais tempo, uma relação mais saudável, um dia a dia mais tranquilo ou a coragem de expressar a tua opinião.
As grandes mudanças costumam começar de forma discreta
De fora, as mudanças muitas vezes parecem repentinas. Alguém deixa o seu trabalho, termina uma relação, muda-se para outra cidade ou começa um novo projeto.
O que os outros não veem: essas decisões costumam gestar-se durante muito tempo.
No início talvez só haja uma sensação desagradável. Depois chega o pensamento de que assim não pode continuar. Mais tarde, a pessoa começa a recolher informação, a ter conversas ou a poupar dinheiro. A decisão visível é então apenas o último passo de um processo mais longo.
Por isso, a construção de vida acontece sobretudo no dia a dia. Dizes Não pela primeira vez, embora normalmente terias dito que sim. Colocas um problema em vez de o engolires novamente. Tiras uma hora para escrever os teus pensamentos. Inscreves-te num curso ou tens uma conversa que há muito tempo adias.
Uma única ação raramente muda toda a vida. Mas muitas pequenas decisões na mesma direção sim podem transformá-la de forma profunda.
Os hábitos podem sustentar-te… ou reter-te
Nem todos os hábitos são maus. Aliviam-nos porque não temos de decidir tudo de novo a cada dia. Torna-se problemático quando nos agarramos a algo só porque nos é familiar.
Algumas pessoas ficam em situações infelizes porque se habituaram a elas. O conhecido parece mais seguro do que uma mudança incerta, mesmo que há muito tempo lhes pese.
Por isso vale a pena rever de vez em quando os teus hábitos:
Este hábito ainda me apoia?
Faz-me bem?
Encaixa com a pessoa que quero ser?
Ou só me agarro a ele porque sempre o fiz assim?
Os novos hábitos não têm de ser impressionantes. O movimento regular, as pausas planeadas de forma consciente, escrever os teus objetivos ou uma revisão semanal podem conseguir mais do que um novo começo motivado que acaba ao fim de poucos dias.
Os contratempos não fazem com que o caminho não valha a pena
Quem quer mudar a sua vida não vai aplicar cada passo com constância. Os padrões antigos não desaparecem de imediato só porque os reconhecemos.
Talvez imponhas um limite e, ainda assim, no conflito seguinte voltes a ceder. Talvez comeces motivado com um novo hábito e, ao fim de umas semanas, o deixes. Talvez tomes uma decisão que mais tarde se revele errada.
Isso faz parte do processo. Um retrocesso não significa que todo o desenvolvimento tenha falhado. Muitas vezes só mostra em que ponto um padrão antigo é especialmente forte ou que um objetivo ainda não encaixa com o teu dia a dia.
Em vez de te desvalorizares por isso, podes perguntar-te:
O que não funcionou?
O que subestimei?
O que me ajudaria na próxima tentativa?
E quero continuar a perseguir este objetivo ou tenho de o ajustar?
A construção de vida não exige perfeição. Exige honestidade e a disposição para olhar de novo uma e outra vez.
Podes mudar de rumo
Às vezes agarramo-nos a um objetivo porque já investimos muito tempo, dinheiro ou energia. Não queremos admitir que o caminho escolhido já não encaixa connosco.
Mas mudar um objetivo não é automaticamente um fracasso.
Talvez tenhas evoluído. Talvez hoje saibas mais do que então, quando tomaste a decisão. Ou as tuas circunstâncias de vida mudaram.
A construção de vida não é uma decisão pontual, mas um processo contínuo. Podes verificar se os teus objetivos continuam a encaixar contigo. Podes mudar prioridades e escolher um novo caminho.
O decisivo não é que te agarres sempre ao mesmo plano. O decisivo é que não vivas de forma permanente contra os teus próprios valores e necessidades.
O começo não tem de ser espetacular
Hoje não tens de virar a tua vida do avesso. Talvez, por enquanto, baste tirares algum tempo e responderes com honestidade:
O que corre bem na minha vida?
O que me pesa há muito tempo?
Que mudança desejo?
O que me tem travado até agora?
E que pequeno passo poderia dar de verdade nos próximos dias?
A construção de vida consciente não começa com a grande decisão. Começa no momento em que deixas de te esquivar a ti mesmo.
Não podes determinar tudo o que encontras na vida. Mas sempre podes decidir como o enfrentas e em que direção queres continuar a avançar.


