MyNorthPath, o diário da gratidão

Gratidão no dia a dia: a chave para mais satisfação e alegria de viver

Como um diário da gratidão pode mudar a sua perspetiva sobre a vida

Há dias em que muita coisa corre bem e, mesmo assim, mal damos por isso. Em contrapartida, aquele comentário indelicado, a resposta tardia ou o pequeno erro ficam gravados na memória durante muito tempo.

À noite, acabamos por pensar sobretudo no que não funcionou.

Isto é humano. Os problemas exigem a nossa atenção, enquanto as coisas agradáveis são rapidamente dadas como garantidas. Um pequeno-almoço tranquilo, uma conversa prestável, um dia sem dores ou uma mensagem de alguém que se lembrou de nós – tudo isto faz parte da nossa vida, mas muitas vezes passa despercebido no quotidiano.

Um diário da gratidão pode ajudar a voltar a perceber esses momentos de forma mais consciente. Não altera automaticamente as nossas circunstâncias de vida. Mas pode mudar aquilo em que focamos o nosso olhar.

Gratidão não significa idealizar tudo

Quando se fala de gratidão, surge rapidamente a impressão de que basta pensar de forma suficientemente positiva para que todos os problemas se tornem menos graves. Não é assim que funciona.

Ser grato não significa negar as dificuldades, nem conformar-se com uma situação infeliz. Pode sentir-se desapontado, triste ou zangado e, ao mesmo tempo, valorizar algo na sua vida. Ambas as coisas podem coexistir.

Pode estar insatisfeito com a sua situação profissional e, ainda assim, estar grato por um colega prestável. Pode estar a processar uma separação difícil e, simultaneamente, valorizar as pessoas que estão ao seu lado. Pode ter problemas de saúde e, mesmo assim, reconhecer o que o seu corpo faz por si todos os dias.

A gratidão não substitui a mudança. Apenas garante que o que é difícil não oculte completamente tudo o resto.

Porque é que o negativo nos ocupa frequentemente com mais força

O nosso cérebro reage com especial atenção a perigos, conflitos e possíveis problemas. Isto foi vital para os nossos antepassados. Quem ignorava uma ameaça arriscava mais do que alguém que não valorizava suficientemente um belo pôr do sol.

Esta atenção ao negativo acompanha-nos até hoje. Uma frase crítica pode ocupar-nos mais tempo do que vários elogios. Uma tarefa que não correu bem costuma pesar mais do que tudo o que fizemos nesse mesmo dia. E, quando nos preocupamos com o futuro, perdemos facilmente de vista aquilo que já nos sustenta no presente.

Um diário da gratidão não nos obriga a estar bem-dispostos. Mas convida-nos a procurar, a par dos problemas, também aquilo que foi bom, útil ou reconfortante.

Com o tempo, pode surgir um novo hábito: já não esperamos pela noite para procurar um momento positivo. Damos por ele logo quando acontece.

O que se escreve num diário da gratidão?

A ideia base é simples: anota regularmente algumas coisas pelas quais está grato.

Não têm de ser experiências extraordinárias. Precisamente as pequenas observações tornam o exercício credível e aplicável ao dia a dia.

Por exemplo:

• A conversa com uma pessoa que o ouviu atentamente
• Uma refeição de que gostou especialmente
• Um momento sem pressão de tempo
• Uma tarefa que finalmente terminou
• O sol durante um passeio
• Uma mensagem simpática
• Algo que hoje fez melhor do que antes

Os acontecimentos mais importantes também podem ter o seu lugar, claro: um sucesso profissional, uma viagem, um exame aprovado ou um momento especial com a família.

O decisivo não é o quão impressionante soa uma entrada. O decisivo é se teve significado para si naquele momento.

«Estou grato pela minha família» está correto, mas é muito geral. A entrada torna-se mais pessoal quando regista exatamente o que viveu:

«Estou grato porque hoje a minha filha me contou como correu o dia e pudemos rir juntos.»

Ou:

«Estou grato porque um amigo me ligou, embora já não falássemos há algum tempo.»

Quanto mais concreto escrever, mais fácil lhe será reviver o momento mais tarde.

Pode repetir-se

Algumas pessoas deixam de escrever ao fim de alguns dias porque não lhes ocorre nada de novo. Não querem anotar sempre as mesmas coisas.

Mas a gratidão não é uma competição pelas entradas mais originais.

Pode estar grato várias vezes pela mesma pessoa. Pode escrever durante vários dias que um passeio lhe fez bem. Também um bom café, uma manhã tranquila ou a sua casa podem aparecer repetidamente.

O decisivo é se escreve a entrada apenas por hábito ou se toma consciência, por breves instantes, de porque foi importante hoje.

Talvez ontem estivesse grato pelo seu parceiro porque o ouviu. Hoje está porque lhe tirou uma tarefa de cima. A pessoa é a mesma, mas o momento concreto é diferente.

De manhã ou à noite?

Não há uma hora fixa que funcione para todas as pessoas.

À noite, pode rever o dia e procurar conscientemente momentos que se perderam na azáfama. Isto pode ajudar a terminar o dia de forma mais tranquila, sobretudo se costuma pensar apenas em problemas quando está na cama.

De manhã, pode ligar a gratidão a um olhar sobre o dia que começa. Pode escrever o que já está presente e aquilo com que se entusiasma.

Uma possível entrada matinal seria:

«Estou grato porque hoje tenho tempo para dar um passeio.»

Ou:

«Estou entusiasmado com a refeição que vou partilhar com um colega.»

Algumas pessoas escrevem diariamente, outras apenas algumas vezes por semana. Mais importante do que uma rotina perfeita é que o exercício não se transforme noutra obrigação que cumpre de má vontade.

Três entradas sinceras duas vezes por semana podem ser mais valiosas do que cinco frases superficiais todas as noites.

Gratidão e a roda da vida

No livro «MYNORTHPATH: Encontre a sua bússola. Desenhe a sua vida.» utilizo a roda da vida para analisar mais de perto diferentes áreas da própria vida.

Entre elas estão:

• Família
• Mente e realização
• Alegria de viver
• Relaxamento
• Saúde
• Corpo e forma física
• Alimentação
• Trabalho
• Dinheiro e finanças
• Amigos
• Parceiro
• Ambiente e relações

Na roda da vida, avalia a sua satisfação nestas áreas numa escala de 1 a 10. Uma avaliação baixa torna visível onde deseja uma mudança. Ao mesmo tempo, pode ser útil procurar também, em áreas menos satisfatórias, algo que já esteja bem.

Talvez esteja insatisfeito com a sua situação profissional, mas valorize a flexibilidade dos seus horários. Talvez queira melhorar a sua forma física, mas esteja grato por conseguir mexer-se sem grandes limitações. Ou deseje mais contacto com os seus amigos e, ao mesmo tempo, reconheça o quão valiosa é para si uma amizade concreta.

Esta perspetiva não deve impedir uma mudança necessária. Apenas o ajuda a olhar para uma área da sua vida de forma mais diferenciada. Nem tudo é completamente bom ou completamente mau.

Gratidão em fases difíceis da vida

Num momento difícil, o convite a ser grato pode até soar ofensivo. Quem acabou de perder alguém, está doente ou enfrenta uma grande incerteza não precisa de indicações rápidas sobre o lado positivo.

Por vezes, um dia é simplesmente duro. Então, não tem de procurar uma suposta lição nem afirmar que está grato pela experiência difícil. Talvez a única entrada seja que alguém esteve lá para si. Talvez esteja grato por ter superado o dia. Ou, conscientemente, não escreve nada.

A gratidão não deve tornar-se um meio para reprimirmos sentimentos desagradáveis.

Com alguma distância, algumas pessoas conseguem reconhecer que, num momento difícil, receberam apoio, estabeleceram um limite ou descobriram uma força própria. No entanto, este reconhecimento não pode ser forçado. Surge quando chega o momento.

A gratidão mostra o que realmente lhe importa

Um diário da gratidão não regista apenas momentos bonitos. Quando relê as suas entradas ao fim de algumas semanas, possivelmente reconhece temas recorrentes.

Talvez escreva com especial frequência sobre tempo partilhado com outras pessoas. Isto pode indicar que a proximidade e a ligação são valores importantes para si.

Talvez a natureza, a tranquilidade e os passeios apareçam uma e outra vez. Então, possivelmente precisa de mais descanso e menos compromissos.

Ou repara que, muitas vezes, está grato por momentos em que aprendeu algo novo ou avançou num projeto próprio. Por detrás podem estar valores como desenvolvimento, autodeterminação ou criatividade.

Assim, o diário da gratidão não se torna apenas uma coleção de experiências positivas. Também lhe mostra o que dá sentido à sua vida.

Quando o exercício se torna mecânico

Ao fim de algum tempo, pode acontecer que, todas as noites, anote os mesmos três pontos sem pensar realmente neles.

Então, vale a pena fazer uma pequena mudança.

Pode, por exemplo, escrever apenas um momento e descrevê-lo com mais detalhe:

O que aconteceu?
Porque foi valioso este momento para si?
Como se sentiu?
O que talvez lhe teria escapado sem este exercício?

Também pode mudar o foco. Num dia, escreva sobre uma pessoa; no seguinte, sobre o seu corpo; mais tarde, sobre algo que aprendeu ou sobre um pequeno conforto que normalmente ignora.

Outra possibilidade é uma carta de gratidão. Escreva a uma pessoa aquilo que valoriza nela ou como influenciou a sua vida. Não tem necessariamente de enviar a carta. Muitas vezes, o simples ato de escrever já muda a perspetiva sobre a relação.

Gratidão e desejo de mudança não se excluem

Por vezes, as pessoas receiam que a gratidão as torne acomodadas. Porque haveria de mudar alguma coisa se devo estar satisfeito com o que já tenho?

Mas gratidão e objetivos pessoais não estão em contradição. Pode valorizar a sua vida atual e, ainda assim, seguir uma nova direção. Pode estar grato pela sua experiência profissional até agora e, ainda assim, procurar outro cargo. Pode reconhecer o que alcançou e, ao mesmo tempo, perseguir novos objetivos.

Sem gratidão, surge facilmente a sensação de que só pode estar satisfeito quando atingir o próximo objetivo:

Quando ganhar mais.
Quando tiver emagrecido.
Quando tiver encontrado o parceiro certo.
Quando viver numa casa maior.

Mas mal se atinge um objetivo, já aparece o seguinte. A vida passa então constantemente num futuro que nunca chega por completo.

A gratidão lembra-nos que podemos desenhar o nosso caminho sem ver o presente apenas como uma sala de espera para uma vida futura.

Uma forma simples de começar

Para começar, não precisa de um diário especial nem de um método elaborado. Basta um caderno ou uma nota no telemóvel.

Pode começar cada entrada com três frases curtas:

Hoje estou grato por…

Este momento foi importante para mim porque…

Hoje apercebi-me conscientemente…

Talvez, no início, lhe ocorra pouco. Isso não é sinal de que não haja nada de bom na sua vida. Muitas vezes, simplesmente não estamos habituados a procurá-lo.

Com o tempo, possivelmente começará a reparar em coisas que antes mal recebiam atenção: um sorriso sincero, um caminho tranquilo para casa, um gesto prestável ou o instante em que notou que conseguiu algo que antes lhe custava.

Um diário da gratidão não torna a vida automaticamente mais fácil. Não resolve conflitos nem nos poupa a decisões difíceis.

Mas pode lembrar-nos que a nossa vida, mesmo em dias comuns, é feita de mais do que obrigações, problemas e objetivos ainda não alcançados.


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